segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Documentário "Ser ou Não Ser" destaca identidade indígena em Manaus




Produzido e filmado na capital amazonense, o filme-documentário “Ser ou não ser” foi uma das atrações da do 8° Amazonas Film Festival. O Curta do cineasta amazonense e índio Mura, Leo Mura, aborda o medo dos índios de identificar-se etnicamente. A produção ganhou o 5º Concurso de Roteiro do Amazonas Film Festival em 2010. “Ser ou não ser – surgiu de uma inquietação que tive sobre uma matéria chamada “Aldeia Urbana” de uma revista de circulação nacional. A matéria dizia que metade da população indígena não se declarava índia”, explica Costa. A partir daí, o cineasta passou a acompanhar o estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) até que se chegasse à resposta do problema. Durante o processo de produção do filme, Leonardo Costa detectou o verdadeiro motivo de índios não se declararem índios. “Descobri que o índio na verdade não se declara como tal por vergonha, e sim por medo!”, afirmou. No documentário, os índios deixaram-se filmar para desabafar o que sofrem e revelaram que sofriam preconceito quando saíam vestidos e caracterizados nas ruas da cidade. “Conheci muita gente que parou de se identificar como índio por esse motivo. São discriminados pelos próprios amazonenses”, disse indignado, o cineasta que também é índio da tribo Mura. “Ser ou não ser” Com 20 minutos de duração o documentário “Ser ou não ser” foi gravado nos cenários singulares da capital amazonense. Entre as locações estão o bairro São José e a Vila Sateré Maué no conjunto Hileia. Índios Tukano e Sateré Maué mostraram sua realidade nas gravações em formato digital Full HD. “Conseguimos fazer um filme com bons equipamentos, e até trouxemos o alemão Wolfgan Brog para assinar a direção de fotografia do documentário”, contou o diretor do filme. Leonardo Costa ainda explica que o filme se propõe a investigar o universo sensorial das pessoas que passam pelo problema. O filme recebeu apoio financeiro da Secretaria de Estado de Cultura. “É muito dificil fazer cinema em Manaus”, desabafou Leonardo. Segundo ele, a verba não foi suficiente, por isso teve de procurar outros parceiros como o empresário Gladston Maués, a Produtora Multitv Brasil, o Hotel Go Inn Manaus, Restaurante Porto de Lenha, Salão Executivo, M.S Transportes, Paladar Mix, Amazonas Reisen, Tapa Produções e Up Comunicação Inteligente.